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VIAGEM AO RIO GRANDE DO SUL E ÀS PLANTAÇÕES DA REGIÃO
06 a 09-01-2003
Sempre que posso, vou ao Rio Grande do Sul visitar o meu amigo Jonas Caldas da Silva.
Neste início de ano, decidi passar um fim-de-semana no Sítio Mahamudra, em Viamão/RS, onde ele mora com a esposa Silvia e o filho Dennys.
Jones é médico homeopata, mas também é produtor de bromélias, provavelmente quem tem a maior coleção de Bromeliaceas do país. Ele veio receber-me no novo Aeroporto Internacional Salgado Filho — que eu ainda não conhecia, um dos melhores e mais modernos do Brasil.
Atravessamos a cidade pelas novas vias expressas — que estão quase na fase final de reforma, para o tráfego de veículos e com canal exclusivo para ônibus — e fomos diretamente para o sítio e passamos a tarde visitando as estufas e colocando nossas conversas em dia. Além do tema onipresente das bromélias, agora incluímos as Agaveaceas. Eu trouxera para ele alguns exemplares de agaves incomuns, obtidos ou trazidos diretamente dos Estados Unidos da América, da Venezuela e de alguns colecionadores do Rio de Janeiro. Obviamente, ele estava exultante, feliz, por ter ampliado o seu já considerável acervo.
Eu sempre encontro novas áreas de cultivo, novas estufas, novos canteiros na propriedade de meu amigo. São plantas maravilhosas, bem tratadas, exuberantes.
No sábado fomos para Gravataí, por estreitas estradas vicinais, em busca de suculentas. Existem muitos produtores de cactos e crassuláceae no Rio Grande do Sul e alguns atuam nos arredores de Porto Alegre.
A minha primeira intenção era de visitar a produção do Ingo, na cidade de Imigrantes, um tanto distante, mas o Jones convenceu-me que seria mais produtivo fazer umas incursões pela região de Gravataí, mais especificamente no Aloi Vera, da “alemoa” Vera na BR 020, km 20, no bairro Morungava. Um estabelecimento rústico, onde o pai
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Foto: wikipedia
Siegfrid faz e vende seus artesanatos de madeira e vime.
De fato, o acervo dela é imenso, muito diversificado, bem organizado embora quase sem identificação das espécies.
Selecionei dezenas de vasinhos, com pequenas e baratas mudas, e até ganhei algumas. Vera é muito simpática e comunicativa, com um espírito de colecionadora e não apenas de vendedora.
Gostei muito da visita e, certamente, incorporei mais de três dezenas de novidades à minha coleção de suculentas.
Nas proximidades estava o Saguaro Cactos, do Klein, um local muito bonito e bem surtido, com belos jardins de cactáceas. Como já havia andado por lá anteriormente, há pouco mais de um ano, não encontrei quase nenhuma novidade, salvo algumas lithops que estavam relativamente caros. É o único lugar do Brasil onde encontrei essas plantas.
Na floricultura do Melo, um amigo do Jones, havia novidades quanto a bromélias e suculentas onde encontrei uma begônia e umas dracenas interessantes. Ele estava pensando em fechar o negócio.
O domingo foi quase todo dedicado à escolha e preparo de bromélias híbridas que eu queria adquirir para ampliar as matrizes da nossa produção na Chácara Irecê (Goiás).
Jones tem boas plantas comerciais, muitas procedentes da Costa Rica (do hibridizador Chester Stolak), dos EEUU e de sua própria criação, além das muitas espécies nativas que ele coletou durante suas andanças pela região sul do Brasil.
Adquiri quase 500 plantas, muitas delas novas no meu catálogo, além de ganhar alguns exemplares de coleção, entre eles uma bela e grande Aechmea sp, verde-clara, levemente rajada, coletada na Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro.
Foto: https://www.jardineiro.net/plantas/palmeira-moinho-de-vento-trachycarpus-fortunei.html
Adquiri também 216 mudas de palmeira Trachycarpus fortunei, conhecida como “palmeira-moinho-de-vento-da-China”, que ele havia obtido por troca com outro produtor. Não é uma planta muito conhecida em Brasília, mas presente em alguns logradouros de Porto Alegre por resistir bem às geadas e ao frio.
Como era início do ano, não conseguimos localizar uma amiga dele, que é professora aposentada da UFRGS, e que agora produz suculentas.
Na segunda-feira só houve tempo para empacotar as plantas, em duas caixas e um maleta. Como era de se imaginar, tive que pagar excesso de peso da bagagem no voo para Brasília.
Foi uma bela e agradável viagem. A hospitalidade da família, os passeios e as comidas foram extraordinárias.
Não obstante a crise da popularidade das bromélias, por causa dos surtos de dengue, contínuo apostando na magia e beleza dessas maravilhosas plantas, apesar de que o Jones achou que o meu entusiasmo não é mais o mesmo...
Em verdade, com a abertura do Variegatum Viveiro que inaugurei em Pirinópolis, tive que diversificar a produção de plantas e o meu interesse demonstrado por cactos, suculentas e palmeiras deu a ele essa impressão...
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